
A segunda vinda de Cristo. Meu amigo, se você sente o peso deste mundo — os lutos, as injustiças, a...

Uma Conversa sobre Gênesis 1, 2 e 3 Como se Estivéssemos Sentados Junto ao Fogo, Com o Coração Aberto
Meu querido amigo,
Vamos fazer uma pausa hoje para regressar ao começo. Não a um começo qualquer — não ao início do seu ano ou da sua nova rotina — mas ao começo de tudo. Quero te levar a um lugar onde o tempo ainda não tinha nome, onde a terra era jovem, o céu ainda não tinha estrelas tortas pelo pecado, e o silêncio era quebrado apenas pela voz de Deus.
Sim, vou lhe contar de novo uma história que você já ouviu. Mas desta vez, não vou falar como quem apenas repete um conto antigo. Vou falar como pastor, como irmão, como alguém que também caminha neste vale, aprendendo a viver depois da queda — e a esperar a restauração.
Vamos falar de Gênesis 1, 2 e 3. Três capítulos aparentemente simples, mas que contêm o DNA de toda a Bíblia. É aqui que tudo começa: a criação, a intimidade, a liberdade, a tentação, a queda… e ali, no meio da escuridão, um sopro de esperança — o primeiro evangelho.
Antes de qualquer lágrima, antes do sofrimento, antes mesmo do tempo, Deus era.
E Ele, em Seu infinito amor, decidiu compartilhar a glória do Ser através da criação.
O livro de Gênesis começa com a frase mais poderosa da literatura humana:
“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1:1).
Não com teorias. Não com dúvidas. Com uma afirmação que deveria nos deixar de joelhos: Deus é quem começou tudo. Não um vazio, não um big bang cego, mas um Deus pessoal, atuante, criador, que falou e as estrelas obedeceram.
Seis dias. Seis movimentos de poder, precisão e beleza. Ele chamou a luz: “Haja luz” (Gn 1:3). Ele separou as águas, fez brotar a terra, trouxe plantas, aves, animais. E cada vez que algo novo surgia, Ele parava, contemplava e dizia: “É bom.”
Mas no sexto dia, algo diferente acontece. A criação muda de ritmo. O tom fica mais íntimo.
“Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança” (Gn 1:26).
“Façamos” — a Trindade se inclui. Num sussurro eterno, o Pai, o Filho e o Espírito se consultam sobre o ápice da criação: o homem.
Nada no universo foi feito com tanta dignidade. Nada recebeu esse título: imagem de Deus.
Isso não é poesia. É identidade. É valor. É propósito. Ser imagem de Deus não significa apenas ter raciocínio ou emoção. Significa ser reflexo da justiça, do amor, da fidelidade, da criatividade de Deus. Significa que em você — sim, em você, com suas cicatrizes e seus fracassos — ainda há algo do divino.
E no capitulo 2, a cena se humaniza.
Deus desce. Literalmente. Ele “forma o homem do pó da terra” (Gn 2:7), como um escultor moldando argila com as próprias mãos. E então sopra nele o fôlego de vida.
Não é eletricidade nervosa. Não é apenas sistema respiratório. É neshamah — o sopro do Criador habitando o criado. É o que nos faz mais que animais: somos almas viventes, templos em potencial.
Depois, Ele planta um jardim. Não um lugar qualquer, mas o Éden — palavra que significa “prazer”, “delícia”. Lá, Adão e Eva viviam em perfeita harmonia: com Deus, consigo mesmos, com a natureza e um com o outro.
Deus dá a Adão uma tarefa: cultivar e guardar o jardim (Gn 2:15). O trabalho não surgiu depois da queda. Foi uma dádiva. Fazer parte do propósito de Deus é honra, não fardo.
E logo depois, Deus diz algo que ressoa até hoje:
“Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2:18).
Então Ele cria Eva — não de terra, mas da costela de Adão. Não para ser escrava. Não para ser inferior. Para ser ajudadora idônea, companheira, igual, parte de um todo.
Eles caminhavam nus… e não tinham vergonha.
Não porque eram inocentes — sabemos disso. Mas porque o pecado ainda não havia rompido a integridade. A nudez era liberdade. A confiança, total. Era isso: viver com Deus como amigos íntimos, como filhos amados.
Mas havia uma árvore.
Uma árvore entre muitas, sim, mas com um comando claro:
“De toda árvore do jardim comerás livremente; mas da árvore da ciência do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, morrerás” (Gn 2:16-17).
Algo em nós se revolta diante disso. “Por que uma proibição? Por que não deixar tudo liberado?”
Mas essa árvore não era sobre a fruta. Era sobre a confiança. Era o altar sobre o qual a humanidade deveria colocar sua vontade diante de Deus.
Assim como um pai dá limites ao filho não para sufocá-lo, mas para protegê-lo, Deus deu uma fronteira não para limitar o amor, mas para guardá-lo. Porque liberdade sem limite vira escravidão. E o verdadeiro amor precisa ser escolhido — não imposto.
Teólogos como Dietrich Bonhoeffer entendem essa árvore como o lugar da decisão: obedecer por amor ou buscar autonomia como deus de si mesmo. E a escolha estava posta.
Gênesis 3 começa com um sussurro. Mas não é Deus quem fala.
É a serpente.
Calma, astuta, cheia de falsa sabedoria. E ela começa com uma pergunta que ainda ecoa nos dias de hoje:
“É assim que Deus disse?…” (Gn 3:1).
Você ouve? Ela não nega Deus diretamente. Ela duvida da bondade Dele.
E então a falsidade:
“Não morrereis. Mas Deus sabe que, no dia em que dela comerdes, os vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal” (Gn 3:4-5).
Veja a estratégia do inimigo:
E Eva olhou. E “viu que a árvore era boa para comer, agradável aos olhos, e desejável para dar entendimento” (Gn 3:6). As três tentações que João fala mais tarde: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida (1 Jo 2:16).
Ela comeu. E deu a Adão.
Não foi uma ação isolada. Foi o momento em que a criatura virou as costas ao Criador. Não por ignorância, mas por escolha deliberada: “Quero decidir o que é bem e mal. Quero ser como Deus.”
E o que aconteceu?
Imediatamente, a luz se apagou.
“Então, foram abertos os olhos de ambos, e perceberam que estavam nus, e coseram folhas de figueira” (Gn 3:7).
Agora havia vergonha. Vergonha da nudez. Vergonha da presença um do outro. Vergonha da presença de Deus.
Onde antes havia comunhão, agora há medo.
“Ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim… e esconderam-se” (Gn 3:8).
Você já sentiu isso? A necessidade de se esconder? Quando errou, quando mentiu, quando caiu — e evitou orar, evitou a igreja, evitou o Espírito?
Isso começou ali.
Então Deus chega. Não com um trovão. Não com um juízo imediato. Mas com uma pergunta que ainda ecoa:
“Adão, onde estás?” (Gn 3:9).
Não é uma pergunta de quem não sabe. É uma pergunta de quem busca.
E ali, na resposta do casal, vemos o coração humano exposto:
Ninguém assume. Ninguém se arrepende. Todos justificam.
E assim, o pecado não entrou apenas no mundo. Ele se espalhou: de ato individual para condição humana. Romanos 5:12 diz:
“Por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, e assim a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram.”
Sim. Adão era o cabeça da humanidade. Quando ele caiu, nós caímos com ele. Não por injustiça, mas por representação. Assim como será com o segundo Adão — Jesus — que, ao obedecer, redime todos os que n’Ele creem.
Este não foi apenas um “erro de percurso”. Foi um terremoto espiritual que abalou toda a criação.
“Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente” (Gn 3:15).
Para a mulher: dor no parto e conflito no relacionamento com o marido — não como punição de Deus, mas como consequência do pecado. O amor, uma vez livre, agora seria marcado por tensões.
Para o homem: a terra, antes fértil, agora traria espinhos e abrolhos. Ele teria de suar para obter o pão. E, no fim, voltaria ao pó — a morte, antes ausente, tornou-se real.
E então, o golpe mais doloroso:
Foram expulsos do Éden. (Gn 3:23)
Mais do que perder um jardim bonito, perderam a presença imediata de Deus. O caminho para a árvore da vida foi bloqueado por querubins e uma espada flamejante (Gn 3:24).
Imagine Adão olhando para trás, enquanto as portas do paraíso se fechavam. O lugar onde andava com Deus… para sempre fora de alcance.
Mas no meio do juízo… brilha uma promessa.
Gênesis 3:15 — o Protoevangelho, o primeiro anúncio do Evangelho.
“Ele te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”
Veja a beleza aqui:
Esse “descendente” não é um plural. É singular. E Galátas 3:16 nos diz:
“Ora, às promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como se falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, a qual é Cristo.”
Esse ferimento no calcanhar? A crucificação.
Esse golpe na cabeça do inimigo? A ressurreição.
Jesus, nascido de uma mulher (Gl 4:4), sem pais humanos determinados — apenas uma mulher. O segundo Adão, que vence onde o primeiro falhou. Que obedece até a morte, e pela morte vence a morte.
E há mais um gesto no Éden que me comove:
Deus fez túnicas de peles e os cobriu (Gn 3:21).
Para cobrir a vergonha, foi necessário sangue. Um animal morreu. A inocência foi substituída. A nudez, escondida.
Foi o primeiro sacrifício. O prelúdio do Calvário.
Foi Deus quem cobriu Adão.
Assim como Ele cobre você hoje com a justiça de Cristo — não por suas obras, mas por Sua graça.
Esses capítulos não são apenas história. São espelhos.
Quando olha para Adão, você vê a sua tendência a se esconder de Deus.
Quando vê Eva, vê a sua fome por conhecimento, poder, reconhecimento.
Quando ouve a serpente, reconhece as mesmas sementes de dúvida que crescem na sua alma.
Mas você também vê a misericórdia.
Deus não destruiu o casal. Não os aniquilou. Mas prometeu um Salvador. E ao cobri-los, mostrou que Sua graça vem antes da lei.
1. Reconheça sua condição
Como Adão, você está frágil. Cansado. Cheio de vergonha. Mas Deus te chama: “Onde estás?” Ele não quer te condenar. Quer te restaurar.
2. Abra mão da autonomia
Você não precisa ser Deus. Não precisa controlar tudo. Entregue seu “bem e mal” nas mãos do Criador. Ele sabe o que é melhor.
3. Viva como imagem de Deus
Você tem valor. Você é digno — não por conseguir, mas por ser amado. Trate os outros com essa dignidade. Cuide da criação como aquele a quem foi confiado um jardim.
4. Confie no segundo Adão
Jesus não só venceu o pecado. Ele viveu a perfeita obediência. Andou com Deus. Não se escondeu. E oferece Sua vitória a você.
“Assim como em Adão todos morrem, também em Cristo todos serão vivificados” (1 Co 15:22).
| Momento | Descrição | Versículo Chave |
|---|---|---|
| A Criação | Deus faz tudo bom, especialmente o homem à Sua imagem | Gn 1:26-31 |
| O Jardim | Lugar de intimidade, tarefa e relacionamento | Gn 2:7-15 |
| O Mandamento | Liberdade com limite — para testar o coração | Gn 2:16-17 |
| A Queda | O grito do ego: “Quero ser como Deus” | Gn 3:1-7 |
| As Consequências | Pecado, morte, vergonha, expulsão | Gn 3:14-24 |
| A Promessa | A semente da mulher vencerá Satanás | Gn 3:15 |
| O Sinal de Graça | Deus cobre com peles — o preço do sangue | Gn 3:21 |
Amigo, esta história não termina com Adão sendo expulso.
Ela termina com um Cordeiro no trono, cercado por pessoas de todas as línguas, povos e nações — lavadas em sangue, cobertas pela graça, reconciliadas com Deus.
Apocalipse 22 diz:
“Mostrou-me também o rio da água da vida… e no meio da praça da cidade, e de cada lado do rio, a árvore da vida… cujas folhas são para a cura das nações.”
A árvore da vida… voltou.
O banimento acabou. A vergonha foi tirada. A morte foi vencida.
E você, que hoje se sente tão longe de Deus, tão marcado pelo pecado — lembre-se: você foi planejado para caminhar com Ele. E um dia, você caminhará de novo.
Até lá, viva com este duplo sopro:
O conhecimento do seu pecado…
E a certeza de que você foi coberto.
Porque no começo, houve a criação.
No meio, houve a queda.
Mas no fim?
Haverá um novo começo.
E o amor vencerá. Sempre.
Agora eu pergunto, de coração para coração:
Onde você está hoje?
E você está disposto a parar de se esconder?
Deus está te chamando.
E Ele ainda tem um jardim para você.

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Muito esclarecedor e muito forte saber sobre esse envolvimento humano no início pra chegar ao Deus humano que fez tudo o que fez!